Textura abstrata fluida em preto e branco

Tratamentos

Cisto pilonidal: sintomas e tratamento

Resposta curta: o cisto pilonidal é uma inflamação ou infecção na pele da região entre as nádegas, ligada a pelos que entram na pele. Pode formar um abscesso, ou seja, um acúmulo de pus. Sem sintomas, a cirurgia não é recomendada. Com sintomas, inclusive depois de um abscesso, a doença raramente desaparece sozinha: por isso, o tratamento definitivo é oferecido. O abscesso é drenado primeiro e o tratamento definitivo vem depois. Na doença simples, as técnicas minimamente invasivas têm recuperação mais rápida, mas às vezes precisam ser repetidas. Na doença extensa ou que voltou, pode ser indicada a cirurgia com retirada da área doente.

O que é?

A doença começa com pequenos orifícios na parte de cima do sulco entre as nádegas, bem na linha média, a linha imaginária que divide o corpo ao meio, de cima a baixo. É mais comum em homens jovens. Pode ficar sem sintomas, causar sintomas, formar um abscesso ou abrir novos orifícios ao lado do sulco, que costumam ter sangue ou pus. Também pode voltar depois de uma cirurgia.

Sintomas

Dor, sangramento e saída de pus ou secreção pelos orifícios, no alto do sulco entre as nádegas. A doença pode atrapalhar as atividades do dia a dia e causar constrangimento. Sangramento ou saída de pus nessa região merecem avaliação médica.

Precisa operar?

Sem sintomas: não. Quando há só os orifícios e não há queixas, a cirurgia não é recomendada.

Depois de um abscesso: o abscesso já é uma fase da doença com sintomas. Ele é drenado por uma incisão, o corte feito na pele para a cirurgia, feita ao lado da linha média. A drenagem sozinha dificilmente cura a doença. Por isso, depois que a inflamação passa, é oferecido o tratamento definitivo. O antibiótico pode ajudar na infecção, mas não cura a doença e não deve atrasar o tratamento definitivo.

Com sintomas: a doença raramente desaparece sozinha. O tratamento definitivo é oferecido. A técnica depende da extensão da doença.

Técnicas minimamente invasivas

São técnicas que buscam tratar a doença preservando a pele do sulco entre as nádegas. Na doença simples, que nunca foi operada e tem poucos orifícios, elas podem ser a primeira opção. As principais são:

  • retirada só dos orifícios, com limpeza do trajeto por dentro (o trajeto é o pequeno canal que a doença forma sob a pele);
  • fenol, uma substância aplicada dentro do trajeto para fazê-lo cicatrizar;
  • tratamento endoscópico, chamado EPSiT (endoscopic pilonidal sinus treatment), em tradução livre, tratamento endoscópico do seio pilonidal: uma pequena câmera entra pelo orifício para limpar o trajeto sob visão, com retirada dos pelos;
  • laser, uma técnica cada vez mais usada: uma fibra fina é colocada dentro do trajeto e o destrói pelo calor.

A vantagem dessas técnicas é a recuperação: nos estudos, tiveram menos dor, cicatrização mais curta e volta mais rápida às atividades. A contrapartida é o risco de a doença voltar, que é conversado antes do procedimento. Elas também podem não ser adequadas para a doença extensa.

Chance de voltar. Numa análise de estudos, a doença voltou em cerca de 11% das pessoas tratadas com laser e em cerca de 9% das tratadas pela técnica endoscópica. Os estudos eram pequenos, olharam para casos já tratados e tiveram acompanhamento curto. Não compararam as duas técnicas diretamente. Num estudo com pessoas com doença simples, que nunca tinham sido operadas, acompanhadas por cerca de 4 anos, 19% das tratadas com fenol e 31% das tratadas com laser precisaram de novo procedimento, na maioria a repetição da mesma técnica. Como o estudo era pequeno, essa diferença pode ter sido acaso. Os resultados do laser a longo prazo ainda são pouco conhecidos. Numa análise de 2018, com o laser usado sozinho, a doença voltou em cerca de 36,6% das pessoas em 5 anos. Esse número vem de um conjunto pequeno de 125 pessoas. Os próprios autores consideram fraca essa evidência. Na mesma análise, nos ensaios randomizados (estudos em que o tratamento é sorteado), a doença voltou em cerca de 10% em 5 anos com um tipo de retalho fora da linha média, descrito adiante; os números vêm de estudos diferentes e não foram comparados diretamente.

Cirurgia com retirada da área doente

Na doença extensa, com orifícios ao lado do sulco, ou que voltou depois de cirurgia, pode ser indicada a cirurgia com retirada da área doente. Depois da retirada, há três opções para a ferida:

  • fechar a ferida fora da linha média, com um retalho, em que um pedaço de pele vizinha é deslocado para cobrir a ferida. É a forma preferida pela Sociedade Europeia de Coloproctologia quando é preciso retirar a área doente. Comparado à ferida aberta, o retalho cicatriza bem mais rápido, pode reduzir a chance de a doença voltar e permitir voltar antes às atividades. A desvantagem é o risco de a ferida abrir. É feito por equipe com experiência nessa técnica;
  • deixar a ferida aberta para cicatrizar sozinha, opção em casos selecionados: a cicatrização é mais demorada, exige cuidados regulares com a ferida e pode atrasar a volta ao trabalho;
  • fechar a ferida na linha média, que deve ser evitado, porque tem maior risco de infecção e de a doença voltar.

Antibiótico depois da cirurgia não é indicado de rotina.

Quais são os riscos

  • Volta da doença: pode acontecer com qualquer técnica. A chance varia muito conforme a técnica empregada e o tempo de acompanhamento. É maior com o fechamento da ferida na linha média. Nas técnicas minimamente invasivas, às vezes é preciso repetir o procedimento.
  • Infecção da ferida, mais comum no fechamento na linha média.
  • Abertura da ferida, um risco do retalho.
  • Ferida que demora a cicatrizar, sobretudo na ferida aberta. Quando a ferida não cicatriza, o cuidado é feito pelo cirurgião junto com a enfermagem especializada em feridas; às vezes, é indicado um retalho.
  • Complicações do laser: em cerca de 10% dos casos nos estudos. Numa revisão, todas foram leves, como infecção, acúmulo de líquido ou de sangue sob a pele e abscesso, tratadas com antibiótico ou sem necessidade de internação. No estudo de 4 anos, cerca de 6% tiveram abscesso depois do laser, drenado com uma pequena incisão. Como o laser não retira a área doente, trajetos profundos ou abscessos podem passar despercebidos.
  • Complicações da técnica endoscópica: em cerca de 7% dos casos, numa análise de estudos.

Como a decisão é tomada

O raciocínio segue a fase da doença. Sem sintomas, não se opera. No abscesso, drena-se primeiro e oferece-se o tratamento definitivo depois. Com sintomas, a escolha pesa a extensão da doença, o tempo de recuperação e a chance de voltar:

  • na doença simples, as técnicas minimamente invasivas têm recuperação mais rápida, mas às vezes precisam ser repetidas;
  • na doença extensa ou que voltou, a retirada da área doente com fechamento fora da linha média é a forma preferida;
  • cada forma de tratar a ferida tem vantagens e limites, descritos acima.

Essas vantagens e esses limites são explicados antes da cirurgia. A decisão é tomada em conjunto.

Perguntas frequentes

Não. Quando não há dor, sangramento ou secreção, a cirurgia não é recomendada.
O abscesso é drenado primeiro. Como a doença com sintomas raramente desaparece sozinha, o tratamento definitivo é oferecido depois que a inflamação passa. A técnica e o momento são conversados em consulta.
Não há uma técnica que sirva para todos. Na doença simples, as técnicas minimamente invasivas podem ser a primeira opção. Quando é preciso retirar a área doente, fechar a ferida fora da linha média é a forma preferida; deixar a ferida aberta é opção em casos selecionados.
Pode, com qualquer técnica. A chance varia conforme a técnica e o tempo de acompanhamento e é maior com o fechamento na linha média. Nas técnicas minimamente invasivas, às vezes é preciso repetir o procedimento: num estudo com doença simples, 19% das pessoas tratadas com fenol e 31% das tratadas com laser precisaram de novo procedimento em cerca de 4 anos. Essa diferença pode ter sido acaso.
É uma técnica cada vez mais usada e pode ser oferecida. A vantagem é a recuperação rápida. Numa análise de estudos, a doença voltou em cerca de 11% das pessoas tratadas com laser, número parecido com o da técnica endoscópica (cerca de 9%), sem comparação direta entre as duas. Num estudo de cerca de 4 anos, 31% das pessoas tratadas com laser e 19% das tratadas com fenol precisaram de novo procedimento; essa diferença pode ter sido acaso. Os estudos são pequenos e os resultados a longo prazo ainda são pouco conhecidos. Vale ressaltar que a técnica do laser ainda é nova e não temos estudos grandes que garantam a segurança desse tipo de abordagem.
Depende da técnica. Com o laser e a técnica endoscópica, a cicatrização completa levou em média cerca de 4 semanas numa análise de estudos. O retalho cicatriza bem mais rápido do que a ferida aberta, que é a que mais demora.

Para entender

Leia também: Tratamentos | Perguntas frequentes | Sobre o Dr. Lucas Gerbasi

Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.

  1. Ojo D, et al. Br J Surg. 2024;111(10):znae237. doi:10.1093/bjs/znae237
  2. Huurman EA, et al. Br J Surg. 2024;111(12):znae281. doi:10.1093/bjs/znae281
  3. Li Z, et al. Langenbecks Arch Surg. 2026;411(1):142. doi:10.1007/s00423-026-04026-1
  4. de Kort J, et al. World J Surg. 2025;49:2354-60. doi:10.1002/wjs.70028
  5. Romic I, et al. Lasers Med Sci. 2022;37(2):723-32. doi:10.1007/s10103-021-03379-x
  6. Stauffer VK, et al. Sci Rep. 2018;8:3058. doi:10.1038/s41598-018-20143-4