Ilustração anatômica de um segmento do intestino atravessando a parede

Tratamentos

Ileostomia de proteção: por que se faz e quanto tempo dura

Resposta curta: em algumas cirurgias do reto (a parte final do intestino grosso, logo acima do ânus), principalmente as do câncer de reto, o intestino é emendado muito perto do ânus. Essa emenda se chama anastomose. Estoma é a abertura do intestino na pele do abdome, por onde as fezes saem para uma bolsa coletora. A ileostomia é um estoma feito com o intestino delgado, na sua parte final, o íleo. A ileostomia de proteção é uma ileostomia temporária que evita que as fezes passem pela anastomose enquanto ela cicatriza. Na maioria das vezes, ela é fechada numa segunda cirurgia, alguns meses depois, conforme a recuperação de cada paciente. A ileostomia também tem incômodos e riscos. Eles são explicados antes da cirurgia. A decisão é tomada em conjunto.

O que é?

Como o final do intestino delgado fica do lado direito do abdome, a ileostomia em geral fica desse lado. Na ileostomia de proteção, em geral, o intestino não é cortado por inteiro: uma alça é trazida até a pele e aberta. As fezes passam a sair por ali, evitando chegar à anastomose feita mais abaixo.

Como as fezes saem antes de passar pelo intestino grosso, que absorve água, elas são mais líquidas. Por isso, há maior risco de desidratação e perda de água e sais.

Por que é feita?

A anastomose feita perto do ânus precisa de tempo para cicatrizar. A ileostomia evita que as fezes passem pela anastomose enquanto ela cicatriza.

Nem toda cirurgia do reto precisa de ileostomia. Ela é considerada sobretudo quando a anastomose fica muito próxima do ânus. A indicação é individual. Ela é conversada antes da cirurgia. Mais em Preservação do ânus no câncer de reto.

Quanto tempo fica?

Não há prazo único. Em geral, a intenção é fechar a ileostomia cerca de 2 a 3 meses depois da cirurgia. Na prática, o fechamento muitas vezes acontece mais tarde: num estudo sueco, aconteceu por volta de 5 meses depois da cirurgia e, em alguns casos, só depois de um ano. Isso acontece porque o momento do fechamento depende da recuperação, de complicações e, quando há câncer, do restante do tratamento. Em pacientes selecionados, que se recuperam bem e cuja anastomose está boa nos exames, o fechamento pode ser feito antes.

Cuidados com a ileostomia

  • Antes da cirurgia: o local do estoma deve ser marcado na pele com antecedência, quando possível. Um local ruim aumenta o risco de complicações, como a dermatite, uma inflamação da pele ao redor do estoma, e a dificuldade de adaptar a bolsa coletora.
  • Estomaterapeuta: profissional de enfermagem especializado no cuidado de estomas e feridas. Ajuda na adaptação, na troca da bolsa e no cuidado com a pele.
  • Água e sais: como a ileostomia perde mais líquido, a ingestão de água merece atenção. Quando a saída na bolsa é muito grande, a desidratação pode prejudicar os rins. Por isso, aumento grande da saída na bolsa, sede intensa, tontura ou pouca urina devem ser avisados à equipe.

Incômodos enquanto o estoma está presente

Os problemas são frequentes, embora a maioria seja leve: dermatite, vazamento da bolsa, saída de muito líquido, hérnia ao redor da abertura, estreitamento, a abertura afundar na pele ou o prolapso, quando a abertura sai do lugar e aparece para fora mais do que deveria. Alguns desses problemas podem precisar de nova cirurgia. No estudo sueco, a internação também foi mais longa em quem teve a ileostomia.

O fechamento

O fechamento é uma segunda cirurgia, em geral feita pelo próprio local do estoma. Como toda cirurgia, tem riscos: os mais comuns são obstrução do intestino e infecção na incisão (o corte feito na pele para a cirurgia). Complicações graves são raras, mas podem acontecer. Os detalhes estão na página Fechamento da colostomia e da ileostomia.

Como fica o intestino depois?

Depois da cirurgia do reto, o intestino pode funcionar diferente: vontade urgente de evacuar, várias idas ao banheiro seguidas e incontinência, ou seja, perda do controle de gases ou fezes. Em alguns estudos, esses sintomas foram cerca de duas vezes mais frequentes em quem teve ileostomia. Isso pode se dever, em parte, ao fato de que quem recebe a ileostomia costuma ter a anastomose mais próxima do ânus, o que seria por si só pior para a função intestinal.

Quando o estoma não é fechado

Nem todo estoma planejado como temporário é fechado. Num estudo sueco, com acompanhamento de cerca de 3 anos e meio, em média, cerca de 14% das pessoas que receberam a ileostomia de proteção ainda tinham algum estoma; entre as que não receberam, a proporção foi parecida. Os motivos incluíram funcionamento ruim do intestino, estreitamento da anastomose, condições de saúde, avanço do câncer e a escolha do próprio paciente. Mais em Câncer de reto e bolsa de colostomia.

Como a decisão é tomada?

A decisão pesa dois lados. De um lado, a proteção da anastomose: a ileostomia evita que as fezes passem por ela enquanto cicatriza. Do outro, o que a ileostomia traz: os incômodos do estoma, o risco de desidratação, uma segunda cirurgia para fechar e a possibilidade de o estoma não ser fechado. A proteção pesa mais quando a anastomose fica muito próxima do ânus ou tem maior risco de ter vazamento. Esses pontos são explicados antes da cirurgia. A decisão é tomada em conjunto.

Perguntas frequentes

Não. Depende sobretudo de quão próxima do ânus fica a anastomose e de cada caso.
Em parte dos casos, isso é possível. Quando a anastomose fica muito próxima do ânus, o estoma evita que as fezes passem por ela enquanto cicatriza. A decisão pesa essa proteção contra os incômodos do estoma e do fechamento.
Em geral, a intenção é fechar cerca de 2 a 3 meses depois da cirurgia. O fechamento pode atrasar por causa da recuperação, de complicações ou do tratamento do câncer; em pessoas selecionadas, pode ser antes. O prazo é definido caso a caso.
Na maioria das vezes, é fechada. Em parte das pessoas, por motivos de saúde, do câncer, do funcionamento do intestino ou por escolha própria, o estoma não é fechado.
A pele ao redor, se a bolsa está bem adaptada e quanto sai por ela. Saída muito aumentada com sede, tontura ou pouca urina deve ser avisada à equipe.
Alguns estudos encontraram mais sintomas em quem teve ileostomia. Isso pode se dever, em parte, ao fato de que quem recebe a ileostomia costuma ter a anastomose mais próxima do ânus.
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