Tratamentos
HPV anal e verrugas anais: diagnóstico e tratamento
Resposta curta: o HPV (papilomavírus humano) é um vírus transmitido pelo contato íntimo, que pode causar verrugas e, em alguns casos, lesões que podem levar ao câncer. No ânus, as verrugas aparecem ao redor do ânus e no canal anal. Elas têm vários tratamentos. Depois de qualquer um deles, novas verrugas podem aparecer novamente.
O que é
O condiloma é a verruga na região anal ou genital causada pelo HPV. Essas verrugas podem aparecer ao redor do ânus, nos genitais e no canal anal. Mais de 95% delas são causadas por dois tipos de HPV, o 6 e o 11. As vacinas contra o HPV nas versões quadrivalente e nonavalente protegem contra esses dois tipos.
O HPV passa com facilidade de uma pessoa para outra no contato íntimo, mesmo quando não há verrugas visíveis. A maioria das pessoas infectadas não chega a ter verrugas: entre as que têm os tipos 6 ou 11, os estudos encontraram verrugas em cerca de 15% a 64%. O tempo entre o contato e o aparecimento das verrugas varia muito. O valor típico foi de cerca de 3 meses nas mulheres e de 11 meses nos homens.
Verrugas ao redor do ânus são comuns em homens e mulheres. É importante ressaltar que elas podem aparecer mesmo em quem nunca teve relação anal.
Sintomas
Na maioria das vezes, a pessoa só percebe as verrugas, sem outro sintoma. Pode haver coceira, sangue ou dor na relação sexual.
Sangue, ferida ou verruga com aspecto diferente do habitual precisam de avaliação médica.
Como é feito o diagnóstico
Pelo exame físico da região. Quando há suspeita de verrugas dentro do canal anal, por exemplo verruga externa que entra no canal, sangramento ou secreção, fazem-se o toque retal e a anuscopia, um exame simples no consultório que mostra o canal anal por dentro. A biópsia é feita quando há dúvida ou suspeita de lesão que possa evoluir para câncer.
O teste de HPV não muda o tratamento das verrugas. Por isso, não é pedido de rotina.
Tratamento das verrugas
Não existe um tratamento ideal para todos. A escolha depende do local, do aspecto e da quantidade de verrugas e da preferência da pessoa. As opções incluem:
- retirada cirúrgica ou cauterização, que costumam retirar as verrugas visíveis;
- ácido aplicado pelo médico, em geral uma vez a cada duas ou três semanas;
- creme aplicado em casa por até 16 semanas, que costuma irritar a pele no início;
- esperar, porque algumas verrugas regridem sozinhas, embora outras cresçam ou se espalhem.
Verrugas do canal anal podem precisar de encaminhamento ao cirurgião. Durante o tratamento, revisões periódicas, por exemplo a cada 4 semanas, permitem acompanhar a resposta e trocar de tratamento quando ela não é suficiente.
Depois de qualquer tratamento, novas verrugas são comuns. Elas aparecem em geral em 20% a 30% das pessoas tratadas. A chance de novas verrugas é maior quanto mais longo é o tempo de acompanhamento.
Em quem vive com HIV ou tem imunossupressão (imunidade baixa, por doença ou por medicações), as verrugas são mais frequentes, respondem pior ao tratamento e voltam mais vezes.
HPV e câncer do ânus
A verruga anal é, por definição, benigna e não se transforma em câncer. Os tipos de HPV que causam verrugas não são os mesmos ligados ao câncer, como o 16 e o 18. Uma mesma pessoa, porém, pode ter mais de um tipo de vírus ao mesmo tempo. Por isso, lesões pré-cancerosas ou câncer podem aparecer junto da verruga ou, raramente, ser confundidos com ela.
Quase todos os casos de câncer do ânus estão ligados ao HPV e são precedidos por lesões pré-cancerosas que podem ser descobertas e tratadas. O rastreamento, porém, não é indicado para toda a população. É indicado para alguns grupos com risco maior, a partir de idades ou prazos definidos para cada um:
- a partir dos 35 anos, em homens que fazem sexo com homens e em mulheres trans que vivem com HIV;
- a partir dos 45 anos, nas demais pessoas que vivem com HIV e em homens que fazem sexo com homens e mulheres trans sem HIV;
- em quem recebeu transplante de órgão, a partir de 10 anos depois do transplante;
- em mulheres que tiveram lesão pré-cancerosa de alto grau ou câncer na vulva, começando em até 1 ano depois do diagnóstico.
A partir dos 45 anos, outros grupos podem considerar o rastreamento em decisão compartilhada com o médico. Entre eles estão quem já teve verrugas ao redor do ânus, mulheres que tiveram lesão pré-cancerosa de alto grau ou câncer no colo do útero ou na vagina, quem tem infecção pelo HPV 16 no colo do útero por mais de um ano e pessoas com imunossupressão, como nas doenças autoimunes (artrite reumatoide, lúpus, doença de Crohn e retocolite ulcerativa) ou no uso de corticoide. Para isso, é preciso haver acesso ao exame que examina o canal anal com aumento (anuscopia de alta resolução), para avaliar o que o rastreamento encontrar.
Prevenção
- Vacina: as vacinas quadrivalente e nonavalente protegem de forma duradoura contra os tipos 6 e 11, que causam a maioria das verrugas. A proteção é maior quando a vacina é feita antes do início da vida sexual.
- Camisinha: protege em parte contra as verrugas. Quando um dos parceiros tem verrugas, recomenda-se usá-la até que elas desapareçam, sabendo que a proteção é parcial.
- Cigarro: fumar está associado a mais verrugas e à permanência do HPV no corpo. Parar de fumar é recomendado.
- Outros exames: quem tem verrugas pela primeira vez deve receber a oferta de exames para outras infecções sexualmente transmissíveis. Mulheres devem manter em dia o exame preventivo do colo do útero.
Como a decisão é tomada
A decisão segue o que a pessoa tem:
- nas verrugas, o tratamento é escolhido conforme o local, o aspecto, a quantidade e a preferência da pessoa; não existe um tratamento ideal para todos; novas verrugas são comuns depois de qualquer um deles;
- no rastreamento do câncer do ânus, os grupos com risco maior têm idades ou prazos definidos para começar; quem já teve verrugas ao redor do ânus e alguns outros grupos podem considerá-lo a partir dos 45 anos, em decisão compartilhada com o médico.
A escolha entre as opções de tratamento é feita em conjunto com o paciente.
Perguntas frequentes
Para entender
Leia também: Perguntas frequentes | Sobre o Dr. Lucas Gerbasi
Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.
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