Dr. Lucas Gerbasi, coloproctologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo

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Como detectar e prevenir o câncer colorretal: o papel do rastreamento

Resposta curta: a maioria dos cânceres colorretais se desenvolve a partir de pólipos, lesões que podem ser identificadas e retiradas antes de se transformarem em câncer. Por isso, o rastreamento em pessoas sem sintomas, com colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes, permite tanto prevenir quanto detectar a doença em fase inicial, quando o tratamento tem melhores resultados.

Por que o rastreamento funciona

O câncer colorretal costuma levar anos para se desenvolver a partir de um pólipo. Nesse intervalo, a doença geralmente não causa sintomas. Encontrar e retirar o pólipo durante a colonoscopia interrompe esse caminho.

A partir de que idade

A força-tarefa de prevenção dos Estados Unidos (USPSTF) recomenda o rastreamento para pessoas de risco médio entre 45 e 75 anos.1 No Brasil, as recomendações variam entre instituições quanto à idade de início. Pessoas com risco aumentado, como quem tem parentes de primeiro grau com câncer colorretal, doença inflamatória intestinal ou síndromes hereditárias, podem precisar começar mais cedo e repetir os exames com mais frequência. A definição é individual.

Quais exames

  • Colonoscopia: examina todo o intestino grosso e permite retirar pólipos no mesmo procedimento. Exige preparo intestinal e sedação.
  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes: exame simples, feito em amostra de fezes; quando positivo, deve ser seguido de colonoscopia.

Sinais que merecem avaliação, em qualquer idade

  • Sangue nas fezes.
  • Mudança persistente do hábito intestinal.
  • Anemia sem causa conhecida.
  • Perda de peso sem explicação.
  • Dor abdominal persistente.

Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas devem ser investigados por um médico.

Hábitos que reduzem o risco

Atividade física regular, alimentação rica em fibras, consumo moderado de carnes vermelhas e processadas, não fumar e limitar o álcool estão associados a menor risco de câncer colorretal. Esses hábitos não substituem o rastreamento.

Perguntas frequentes

Quem não tem sintomas precisa fazer colonoscopia?
Sim, a partir da idade de rastreamento recomendada para o seu perfil de risco. O objetivo do rastreamento é justamente encontrar lesões antes dos sintomas.

De quanto em quanto tempo repetir a colonoscopia?
Depende do resultado do exame anterior e do risco individual. Com exame normal e risco médio, o intervalo costuma ser longo; com pólipos, é mais curto.

Sangue nas fezes é sempre câncer?
Não. A causa mais comum são doenças benignas, como hemorroidas e fissuras, mas o sintoma deve sempre ser avaliado.

Referências

  1. US Preventive Services Task Force; Davidson KW, Barry MJ, Mangione CM, et al. Screening for Colorectal Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2021;325(19):1965-1977. doi:10.1001/jama.2021.6238

Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.

Artigo escrito e revisado por:

Dr. Lucas Gerbasi, Médico Coloproctologista, CRM SP 150786, RQE 72343 / 72344

Atuação em doenças do intestino grosso, reto e ânus e em cirurgia colorretal minimamente invasiva, com ênfase em procedimentos com evidência científica comprovada.