Resposta curta: a maioria dos cânceres colorretais se desenvolve a partir de pólipos, lesões que podem ser identificadas e retiradas antes de se transformarem em câncer. Por isso, o rastreamento em pessoas sem sintomas, com colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes, permite tanto prevenir quanto detectar a doença em fase inicial, quando o tratamento tem melhores resultados.
Por que o rastreamento funciona
O câncer colorretal costuma levar anos para se desenvolver a partir de um pólipo. Nesse intervalo, a doença geralmente não causa sintomas. Encontrar e retirar o pólipo durante a colonoscopia interrompe esse caminho.
A partir de que idade
A força-tarefa de prevenção dos Estados Unidos (USPSTF) recomenda o rastreamento para pessoas de risco médio entre 45 e 75 anos.1 No Brasil, as recomendações variam entre instituições quanto à idade de início. Pessoas com risco aumentado, como quem tem parentes de primeiro grau com câncer colorretal, doença inflamatória intestinal ou síndromes hereditárias, podem precisar começar mais cedo e repetir os exames com mais frequência. A definição é individual.
Quais exames
- Colonoscopia: examina todo o intestino grosso e permite retirar pólipos no mesmo procedimento. Exige preparo intestinal e sedação.
- Pesquisa de sangue oculto nas fezes: exame simples, feito em amostra de fezes; quando positivo, deve ser seguido de colonoscopia.
Sinais que merecem avaliação, em qualquer idade
- Sangue nas fezes.
- Mudança persistente do hábito intestinal.
- Anemia sem causa conhecida.
- Perda de peso sem explicação.
- Dor abdominal persistente.
Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas devem ser investigados por um médico.
Hábitos que reduzem o risco
Atividade física regular, alimentação rica em fibras, consumo moderado de carnes vermelhas e processadas, não fumar e limitar o álcool estão associados a menor risco de câncer colorretal. Esses hábitos não substituem o rastreamento.
Perguntas frequentes
Quem não tem sintomas precisa fazer colonoscopia?
Sim, a partir da idade de rastreamento recomendada para o seu perfil de risco. O objetivo do rastreamento é justamente encontrar lesões antes dos sintomas.
De quanto em quanto tempo repetir a colonoscopia?
Depende do resultado do exame anterior e do risco individual. Com exame normal e risco médio, o intervalo costuma ser longo; com pólipos, é mais curto.
Sangue nas fezes é sempre câncer?
Não. A causa mais comum são doenças benignas, como hemorroidas e fissuras, mas o sintoma deve sempre ser avaliado.
Referências
- US Preventive Services Task Force; Davidson KW, Barry MJ, Mangione CM, et al. Screening for Colorectal Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2021;325(19):1965-1977. doi:10.1001/jama.2021.6238
Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.