Tratamentos
Pólipos intestinais: o que são, retirada e acompanhamento
Resposta curta: pólipo é uma saliência na parede interna do intestino; alguns tipos podem virar câncer com o tempo. A maioria dos casos de câncer colorretal se forma a partir de adenomas, um tipo de pólipo. Por isso, retirar os pólipos durante a colonoscopia, o exame que examina todo o intestino grosso por dentro com uma câmera, reduz o risco de câncer e de morte por câncer de intestino. Em geral, a retirada é feita na própria colonoscopia. A cirurgia é indicada quando o pólipo não pode ser retirado pela colonoscopia ou quando a análise mostra um câncer com características de maior risco. Depois da retirada, o intervalo até a próxima colonoscopia depende de quantos pólipos foram retirados, do tamanho e do tipo de cada um. Quem define é o médico.
O que são os pólipos
Os pólipos crescem a partir da camada interna do intestino grosso. Existem tipos diferentes de pólipo. O tipo só é definido com certeza pela análise no laboratório depois da retirada.
Os tipos que mais importam são dois:
- Adenomas: são o tipo de pólipo de onde se forma a maioria dos casos de câncer colorretal.
- Lesões serrilhadas: pólipos cuja superfície, vista ao microscópio, tem o contorno em dentes de serra. São outro tipo de pólipo que pode virar câncer. Ficam mais no lado direito do intestino grosso e são mais difíceis de ver. O pólipo hiperplásico também faz parte desse grupo. Quando é pequeno, com menos de 1 cm, o risco é baixo: quem teve só pólipos hiperplásicos pequenos segue o mesmo acompanhamento de quem não teve pólipo. Quando é maior, o controle é mais próximo.
Nem todo pólipo é desses tipos. O resultado da análise informa qual é o tipo e orienta o acompanhamento.
Pólipo vira câncer?
Alguns podem virar, com o tempo. O câncer de intestino costuma se formar em etapas: uma lesão anterior ao câncer, como o adenoma, cresce e muda até virar um tumor. Essa sequência é o que permite prevenir: retirar o pólipo antes que ele mude interrompe esse processo. A retirada de pólipos pela colonoscopia reduz o número de casos de câncer colorretal e as mortes por ele. Num estudo que acompanhou por cerca de 16 anos pacientes que tiveram adenomas retirados, as mortes por câncer colorretal foram cerca de metade das esperadas na população geral.
Como os pólipos são encontrados
Os pólipos são encontrados na colonoscopia, seja no rastreamento, seja na investigação de sintomas. Rastreamento são os exames em quem não tem sintomas para achar cedo o câncer ou lesões que podem virar câncer. Os testes nas fezes e a colonoscopia virtual também podem sugerir um pólipo; nesses casos, a colonoscopia é necessária para confirmar e retirar.
A colonoscopia é o exame que melhor encontra as lesões serrilhadas. Um teste nas fezes negativo não exclui pólipos.
Como é a retirada
A retirada do pólipo durante a colonoscopia se chama polipectomia. O pólipo retirado vai para o laboratório.
Pólipos maiores ou de base larga podem pedir técnicas endoscópicas mais avançadas, também feitas por dentro do intestino. Em alguns casos, a colonoscopia se combina com a cirurgia por via minimamente invasiva, ou seja, por vídeo ou robótica, com pequenas incisões, câmera e instrumentos finos. Quando uma lesão suspeita de câncer não pode ser retirada pela colonoscopia, a cirurgia é indicada.
A retirada também tem riscos. Sangramento e perfuração, que é um furo na parede do intestino, são mais frequentes na colonoscopia com retirada de pólipos do que na colonoscopia sem retirada. Esse risco é conversado antes do exame.
Removeram o pólipo: preciso operar?
Depende do resultado da análise do pólipo.
- Pólipo sem câncer: a retirada pela colonoscopia é o tratamento.
- Câncer restrito à camada mais superficial do pólipo, sem invasão: a retirada completa e em uma peça só pela colonoscopia basta.
- Câncer que começou a invadir, mas com características de baixo risco: a retirada pela colonoscopia pode ser o tratamento definitivo. São características de baixo risco: células do tumor pouco agressivas, ausência de invasão dos vasos e dos nervos, margem livre (tecido saudável ao redor do que foi retirado) e invasão pouco profunda.
- Câncer com características de maior risco: células mais agressivas, invasão dos vasos, invasão mais profunda ou margem comprometida. Nesses casos, a cirurgia é indicada, porque o risco de o câncer ter ficado na parede do intestino ou ter chegado aos linfonodos é alto. Linfonodos são pequenos órgãos de defesa do corpo, conhecidos como gânglios ou ínguas, para onde o câncer pode se espalhar. A cirurgia retira o segmento do intestino onde estava o pólipo, com os linfonodos daquela parte do intestino.
A análise do pólipo e a decisão de operar são discutidas com o paciente, com o laudo em mãos. A cirurgia do câncer de cólon está explicada em Câncer de intestino (cólon): diagnóstico e cirurgia.
O acompanhamento depois da retirada
O intervalo até a próxima colonoscopia depende de quantos pólipos foram retirados, do tamanho e do tipo de cada um, conforme o resultado da análise. Também conta se a colonoscopia foi completa e se o preparo estava adequado. Em linhas gerais, poucos pólipos pequenos levam a um intervalo longo, às vezes igual ao do rastreamento de quem não teve pólipo. Pólipos maiores, em maior número ou retirados em vários fragmentos levam a intervalos mais curtos.
O médico define o intervalo na consulta, com o laudo da colonoscopia e o resultado do laboratório.
Pólipos e família
Quem tem um parente de primeiro grau (pai, mãe, irmãos ou filhos) com câncer colorretal ou com pólipo de maior risco pode precisar começar o rastreamento mais cedo, com colonoscopia. Isso vale sobretudo quando o parente teve o diagnóstico antes dos 60 anos ou quando há dois ou mais parentes. Um parente de segundo grau, como avô, avó, tio ou tia, sozinho, em geral não muda o rastreamento.
Em algumas famílias, a tendência a ter pólipos e câncer colorretal vem de mutações genéticas herdadas, ou seja, alterações em genes que passam de pais para filhos. Um exemplo é a polipose adenomatosa familiar, causada por alterações no gene APC, que responde por cerca de 1% dos casos de câncer colorretal.
Como a decisão é tomada
A decisão depende do tipo e do tamanho do pólipo, de como ele foi retirado, do resultado da análise, da saúde da pessoa e da história da família. Cada opção é explicada ao paciente: retirar pela colonoscopia, operar ou acompanhar, com os benefícios e os riscos de cada uma. A decisão é tomada em conjunto.
Perguntas frequentes
Para entender
- Como detectar e prevenir o câncer colorretal: o papel do rastreamento
- Câncer de intestino (cólon): diagnóstico e cirurgia
- Perguntas frequentes
Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.
- Shaukat A, Kahi CJ, Burke CA, Rabeneck L, Sauer BG, Rex DK. ACG clinical guidelines: colorectal cancer screening 2021. Am J Gastroenterol. 2021;116(3):458-79. doi:10.14309/ajg.0000000000001122
- Wolf AMD, Hoffman RM, Walter LC, Zeigler-Johnson C, Church TR, Guerra CE, et al. Colorectal cancer screening: an update to the American Cancer Society guideline, 2026. CA Cancer J Clin. 2026;76(3):e70083. doi:10.3322/caac.70083
- Argilés G, Tabernero J, Labianca R, Hochhauser D, Salazar R, Iveson T, et al. Localised colon cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol. 2020;31(10):1291-305. doi:10.1016/j.annonc.2020.06.022
- Vogel JD, Felder SI, Bhama AR, Hawkins AT, Langenfeld SJ, Shaffer VO, et al. The American Society of Colon and Rectal Surgeons clinical practice guidelines for the management of colon cancer. Dis Colon Rectum. 2022;65(2):148-77. doi:10.1097/DCR.0000000000002323
- Gupta S, Lieberman D, Anderson JC, Burke CA, Dominitz JA, Kaltenbach T, et al. Recommendations for follow-up after colonoscopy and polypectomy: a consensus update by the US Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer. Am J Gastroenterol. 2020;115(3):415-34. doi:10.14309/ajg.0000000000000544
- Hassan C, Antonelli G, Dumonceau JM, Regula J, Bretthauer M, Chaussade S, et al. Post-polypectomy colonoscopy surveillance: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline, Update 2020. Endoscopy. 2020;52(8):687-700. doi:10.1055/a-1185-3109
- Zauber AG, Winawer SJ, O’Brien MJ, Lansdorp-Vogelaar I, van Ballegooijen M, Hankey BF, et al. Colonoscopic polypectomy and long-term prevention of colorectal-cancer deaths. N Engl J Med. 2012;366(8):687-96. doi:10.1056/NEJMoa1100370
- Zaffaroni G, Mannucci A, Koskenvuo L, de Lacy B, Maffioli A, Bisseling T, et al. Updated European guidelines for clinical management of familial adenomatous polyposis (FAP), MUTYH-associated polyposis (MAP), gastric adenocarcinoma, proximal polyposis of the stomach (GAPPS) and other rare adenomatous polyposis syndromes: a joint EHTG-ESCP revision. Br J Surg. 2024;111(5):znae070. doi:10.1093/bjs/znae070