Resposta curta: a cirurgia robótica é uma forma de cirurgia minimamente invasiva, assim como a laparoscopia. No câncer colorretal, as duas técnicas têm resultados semelhantes em grande parte dos casos. A vantagem mais estudada da robótica aparece no câncer de reto médio e baixo, em que a pelve estreita dificulta o acesso. A escolha da via depende do tumor, do paciente e da experiência da equipe.
O que é a cirurgia robótica
Na cirurgia robótica, o cirurgião opera a partir de um console, controlando instrumentos articulados e uma câmera com visão tridimensional ampliada. O robô não opera sozinho: cada movimento é feito pelo cirurgião. Como na laparoscopia, a cirurgia é feita por pequenas incisões, sem a abertura ampla do abdome da cirurgia convencional.
Os instrumentos articulados e a visão ampliada são especialmente úteis em espaços estreitos e profundos, como a pelve, onde fica o reto.
Robótica ou laparoscopia: o que mostram os estudos
Dois grandes ensaios clínicos randomizados compararam as duas técnicas no câncer de reto:
- ROLARR (471 pacientes, 10 países): a taxa de conversão para cirurgia aberta foi de 8,1% na robótica e 12,2% na laparoscopia, diferença sem significância estatística. A margem circunferencial comprometida, as complicações e a função urinária e sexual também não diferiram entre os grupos. Os cirurgiões tinham experiência variada com o robô.1
- REAL (1.240 pacientes com câncer de reto médio e baixo, 11 hospitais): a cirurgia robótica teve menos margem circunferencial comprometida (4,0% contra 7,2%), menos complicações em 30 dias (16,2% contra 23,1%), menos conversões para cirurgia aberta (1,7% contra 3,9%) e internação um dia mais curta. Os resultados de recorrência a longo prazo não estavam disponíveis nessa publicação.2
Em resumo: a robótica pode oferecer vantagens no reto médio e baixo, sobretudo em equipes experientes, mas não é superior em todos os casos. Uma laparoscopia bem feita por um cirurgião experiente segue sendo uma excelente opção.
O que mais importa no resultado
Mais do que a plataforma, o resultado da cirurgia do câncer colorretal depende de princípios técnicos: remoção do tumor com margens livres, retirada adequada dos linfonodos e, no reto, a excisão total do mesorreto bem executada. Dependem também da experiência do cirurgião e da estrutura do hospital, com equipe multidisciplinar.
Quando a robótica costuma ser considerada
- Câncer de reto médio e baixo, em que a pelve estreita dificulta o acesso.
- Pacientes com pelve estreita ou obesidade, em que a visão e a articulação dos instrumentos ajudam.
- Cirurgias que buscam preservar o esfíncter anal, quando o tumor permite.
A indicação é sempre individual e discutida em consulta.
Perguntas frequentes
A cirurgia robótica cura mais o câncer do que a laparoscopia?
Os estudos disponíveis não mostram diferença de cura entre as duas técnicas nas mãos de equipes experientes. No câncer de reto médio e baixo, há dados de melhor qualidade da ressecção com a robótica, e os resultados de longo prazo seguem em acompanhamento.
A cirurgia robótica dói menos?
As duas técnicas são minimamente invasivas e, em geral, causam menos dor do que a cirurgia aberta. Entre robótica e laparoscopia, a diferença de dor costuma ser pequena.
Toda cirurgia de intestino deve ser robótica?
Não. A via é escolhida de acordo com o tipo e a localização do tumor, as características do paciente e a experiência da equipe.
Quem opera é o robô?
Não. O cirurgião controla todos os movimentos dos instrumentos a partir do console.
Referências
- Jayne D, Pigazzi A, Marshall H, et al. Effect of Robotic-Assisted vs Conventional Laparoscopic Surgery on Risk of Conversion to Open Laparotomy Among Patients Undergoing Resection for Rectal Cancer: The ROLARR Randomized Clinical Trial. JAMA. 2017;318(16):1569-1580. doi:10.1001/jama.2017.7219
- Feng Q, Yuan W, Li T, et al. Robotic versus laparoscopic surgery for middle and low rectal cancer (REAL): short-term outcomes of a multicentre randomised controlled trial. Lancet Gastroenterol Hepatol. 2022;7(11):991-1004. doi:10.1016/S2468-1253(22)00248-5
Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.