Você assistiu a vídeos sobre SIBO, leu posts de profissionais de saúde, talvez tenha feito o teste respiratório e entrado em um protocolo. Mas os sintomas voltaram. Ou não melhoraram. E agora um profissional sugere repetir o ciclo. Antes de continuar, você precisa entender como o mercado de SIBO funciona no Brasil.
O que revelou o levantamento brasileiro
Foram analisadas 30 fontes de conteúdo digital sobre SIBO no ecossistema brasileiro (junho/2026 — Instagram, YouTube, sites e clínicas). Os dados revelam um padrão sistemático:
- 73% vendem protocolo ou produto próprio no contexto do SIBO
- 63% indicam o próprio teste respiratório como parte do serviço — faturando com o exame e com o tratamento
- 70% usam retórica anti-medicina convencional (‘a medicina convencional não sabe tratar’)
- 47% vendem kit de suplementos para tratamento do SIBO
- Apenas 3% citam referências científicas com qualidade metodológica mínima (escore de Jadad ≥ 3)
Como identificar um diagnóstico criterioso
- Existe condição predisponente identificada (ressecção intestinal prévia, uso crônico de IBP (Inibidores da Bomba de Prótons), doença de Crohn, dismotilidade por esclerodermia)? Sem isso, a indicação do teste é questionável.
- O profissional NÃO fatura com o exame nem vende o tratamento subsequente? Conflito de interesse deve ser declarado.
- Foram excluídas outras causas (doença celíaca, doença inflamatória intestinal, intolerâncias) antes de chegar ao SIBO?
- O profissional avalia os critérios Roma IV para SII — ou vai direto ao diagnóstico de SIBO?
- O protocolo tem prazo definido e critério de reavaliação — ou é aberto e repetível indefinidamente?
- O profissional é médico especialista com RQE? Ou é nutricionista ou médico com especialidade não reconhecida pelo CFM (medicina integrativa, medicina do estilo de vida, medicina do emagrecimento)
Sinais de alerta
- Indicação do exame apenas por sintomas inespecíficos (inchaço, cansaço, névoa mental)
- Kit de suplementos R$ 800–2.000 como ‘protocolo natural de 3 meses’
- ‘SII é SIBO não tratado’ — afirmação que contradiz a literatura científica atual
- Sem referências científicas ou com citações de estudos sem qualidade metodológica
A retórica ‘a medicina convencional não sabe tratar’ é uma bandeira vermelha para pseudociência, independentemente do título ou especialidade do profissional.
Artigo escrito e revisado por:
Dr. Lucas Gerbasi Coloproctologista | CRM 150.786 – RQE 72343/72344
Atuação em doenças do intestino grosso, reto e ânus. Foco em cirurgia colorretal minimamente invasiva com ênfase em procedimentos com evidência científica comprovada.